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12/08/2015

Mauá é a primeira cidade do país a receber sensores de deslizamentos de terra do Cemaden
A partir do dia 24/08 equipamentos começam a ser instalados; prevenção pode ser feita com até três dias de antecedência

Evandro Oliveira/ PM

A Estação Total Robotizada será instalada no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS)

 

Os investimentos em prevenção contra deslizamentos em época de fortes chuvas em Mauá ganhou o reforço com a implantação do Projeto de Sensores Geotécnicos de Pesquisa e de Monitoramento dos Morros para Prevenção de Deslizamentos. A cidade é a primeira de nove localidades no país a receber projeto que tem uma Estação Total Robotizada, 150 prismas para reprodução de sinais de movimentação de terra e pluviômetros.

A instalação será a partir do próximo dia 24. Os equipamentos são fornecidos e monitorados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e da Tecnologia, em conjunto com a Coordenadoria de Defesa Civil, por meio de convênio com a Prefeitura de Mauá.

A Estação Total Robotizada (ETR) será instalada no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), na área do loteamento Chafik/Macuco, no Jardim Zaíra. O aparelho tem cobertura na faixa de até 2,5 km em 360º. A ETR repercute sinais de laser enviados e retransmitidos por sensores, nomeados prismas, que serão instalados em 150 moradias do Macuco/Chafik. Além disso, 15 plataformas de coleta de dados, que incluem pluviômetro e seis sensores de umidade do solo, identificam movimentos de massa de terra com antecedência de até três dias e fornecem subsídios para emissão de alertas prévios.

“Desde 2013, redobramos nosso cuidado com as áreas de risco. Como primeira medida colocamos a sede da Coordenadoria de Defesa Civil no Jardim Zaíra onde temos um número maior de pessoas que necessitam de atenção, bem como cinco Núcleos de Defesa Civil, para melhorar nosso contato com os moradores nos momentos em que precisamos dar uma resposta imediata aos problemas enfrentados”, cita o prefeito Donisete Braga. A Prefeitura irá, ainda, desenvolver um robusto projeto de urbanização na região, inclusive com a construção de moradias, abertura de ruas, iluminação e construção de um parque linear.

Para o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes, “fazendo a ponte entre conhecimento científico e as defesas civis nos municípios colaboramos para salvar vidas. Para esse trabalho, é fundamental o engajamento da comunidade.” O Centro foi criado pelo Governo Federal em 2011, após a tragédia ocorrida na região serrana do Rio de Janeiro, para unir esforços de profissionais técnicos e tecnologia para evitar novas ocorrências como aquela.

No mesmo ano, nessa mesma área do Macuco, quatro pessoas morreram vítimas de deslizamentos de terra em virtude do solo encharcado pela chuva. A líder comunitária Terezinha Ferreira presenciou essa tragédia e abrigou dezenas de pessoas em um salão na sua própria casa, que anteriormente servia para cultos religiosos. Foram mais de 15 dias colaborando com a Prefeitura e a Defesa Civil no atendimento aos moradores que haviam perdido a casa e seus pertences. “Se antes tivesse um equipamento desse muita coisa ruim teria sido evitada. A gente fez o que pode, mas é uma coisa que a gente nunca vai esquecer”, avaliou Terezinha, que também fez curso para ser voluntária da Defesa Civil.

“Nós ouvimos um barulho de tremor e, quando olhamos pela janela, o morro estava descendo. Saí correndo com minhas duas filhas, duas amiguinhas delas e a menininha que eu cuidava, logo depois minha casa também desceu morro abaixo”, descreveu Ieda Gonçalves, que considera importante o novo recurso para prevenir os deslizamentos.

Juntamente com os oito pluviômetros automáticos, quatro semiautomáticos e um manual já instalados no município, a coleta de dados ficará ainda mais precisa. Os dados têm envio imediato pela internet para o Cemaden, que os analisa e toma as devidas medidas. “Trata-se de mais um recurso fundamental para cuidar da vida da população e que vai se somar à estrutura de monitoramento que já temos na Defesa Civil”, considerou o coordenador de Defesa Civil, Sergio Moraes.

Desde 2013, a Prefeitura faz o trabalho sistemático de informar moradores e formar equipes de voluntários para a Defesa Civil voltado aos procedimentos de prevenção. No local, os habitantes colaboram cedendo espaço para que os prismas sejam instalados em pilares ou no alto da parede de 150 moradias.

Todos esses equipamentos de alta tecnologia para o monitoramento das encostas e morros totalizam investimentos em torno de R$ 1,1 milhão, o que vai exigir o comprometimento dos moradores para cuidar da aparelhagem, já que vai beneficiar toda a comunidade.

A área que fica no Jardim Zaíra tem topografia que configura área de risco, já que facilita a ocorrência de deslizamentos. Embora não tenha data definida, uma segunda estação está prevista, devendo ser implantada no Jardim Rosina/Oratório, outro território de risco no município.

Outras cidades que receberão as estações são Santos/SP, Recife/PE, Salvador /BA, Angra dos Reis, Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis/RJ e Blumenau/SC. A cidade de Campos do Jordão tem uma estação semelhante, instalada em um projeto-piloto coordenado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo próprio Cemanden.

PPDC 2014/2015 - Segundo o coordenador da Defesa Civil, Sergio Moraes, entre 01/12/2014 e 15/04/2015, período em que vigorou o Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC), foram registrados 23 deslizamentos sem vítimas, cinco alagamentos, 63 quedas de árvores, 88 interdições de moradias em risco e 67 demolições preventivas em Mauá.

Os técnicos do órgão realizam palestras durante o ano todo em diversos locais da cidade e segmentos da sociedade civil, explicando como prevenir e atender situações de risco, além de detalhar as funções e a rotina das equipes de Defesa Civil.

Crianças da comunidade Macuco/Chafik também participam de atividades, no projeto Defesa Civil Mirim, em que recebem informações sobre cidadania, proteção ambiental e prevenção de desastres.

A cidade de Mauá registrou 600 mm de chuva no verão 2014/2015, sendo que 2013/2014 registrou 640 mm.

 

 

Fonte: Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Mauá
Secretaria de Comunicação Social
12/08/2015 17:14


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